A Premier League se tornou uma das divisões de futebol mais assistidas do mundo, reunindo alguns dos melhores treinadores e jogadores da história do futebol, da dominância de Ferguson à genialidade tática de Pep. Mas, para cada gênio à beira do campo, também houveram trabalhos desastrosos definindo os azarões nas apostas esportivas. Aquele tipo de treinador que, de tão ruim, ainda é lembrado anos depois.
Esta lista dos piores treinadores da Premier League de todos os tempos trata de verdadeiros desastres que marcaram os clubes, traumatizaram os torcedores e encerraram carreiras. A lista classifica os treinadores com base em seu desempenho em uma temporada (ou temporadas) específica da Premier League, com todas as estatísticas refletindo apenas aquela temporada.
10. Ange Postecoglou – Tottenham e Nottingham Forest 24/25 & 25/26

Ange Postecoglou era conhecido como uma figura simpática, e alcançou o impossível ao vencer a Europa League com o Tottenham em 2024/25. No entanto, seu desempenho na Premier League o coloca na lista dos piores treinadores da história da competição.
O “Big Ange” chegou ao Tottenham vindo do Celtic, após uma temporada campeã, e teve sucesso inicialmente. Conduzindo os Spurs a um respeitável 5º lugar em sua primeira temporada, apenas dois pontos atrás de uma vaga na Champions League. Porém, sua segunda temporada foi desastrosa.
O futebol kamikaze de Postecoglou e sua relutância em se adaptar fizeram com que o Tottenham sofresse gols constantemente. Uma crise de lesões não ajudou, mas ele se recusou a mudar um sistema que estava destruindo o clube. O Tottenham terminou em 17º, a apenas uma posição da zona de rebaixamento, sua pior campanha na Premier League até hoje.
Alguns torcedores consideraram a iniciativa do Tottenham de demitir o australiano no final da temporada muito severa, visto que ele havia levado o time ao título em Bilbao. No entanto, a campanha quando assumiu o Nottingham Forest, substituindo Nuno Espírito Santo, provou que a decisão foi acertada. Ele foi despedido alguns meses depois, sem vencer nenhum jogo em oito partidas.
A queda de Postecoglou foi tão dramática quanto sua ascensão. Apesar do carisma e das promessas iniciais, a trajetória de Ange na Premier League serviu como advertência para treinadores com filosofias rígidas no futebol moderno. Mesmo tendo conquistado um troféu em sua segunda temporada, a maioria dos torcedores sente pouca ou nenhuma saudade do australiano.
- Partidas no comando: 43
- Vitórias / Derrotas / Empates: 11-6-26
- Gols marcados: 65
- Gols sofridos: 75
9. Aidy Boothroyd – Watford 06/07

Aidy Boothroyd faz parte de uma era passada de treinadores da Premier League, quando demissões no meio da temporada eram quase inexistentes. Ele comandou o Watford durante toda a temporada de 2006/07. Tendo levado a equipe da Championship para a Premier League contra todas as probabilidades na temporada anterior. Mas logo ficou claro que ele não estava preparado para uma das melhores ligas do mundo.
O Watford de Boothroyd era baseado em esforço, bolas longas e condicionamento físico. Essa fórmula funcionava brilhantemente na Championship, mas desmoronou na Premier League. Sua equipe teve dificuldades para se adaptar ao ritmo, à qualidade técnica e à sofisticação tática dos adversários.
Embora não se pudesse criticar a dedicação e a organização do time, o Watford simplesmente não tinha a classe necessária para competir nem um treinador capaz de vencer de maneira convincente. O resultado foi uma temporada de desgaste cruel, marcada por uma completa falta de efetividade no ataque.
Em 38 jogos da liga, o Watford de Boothroyd foi sempre azarão nas apostas no futebol. Venceu apenas cinco partidas, empatou 13 e perdeu 20, terminando na última posição da tabela com 28 pontos. Marcou apenas 29 gols, um dos piores ataques da temporada, e sofreu 59.
Ele continuou no comando na temporada seguinte da Championship, mas foi demitido em novembro após um início ruim. O desempenho de Boothroyd deixou claro que ele nunca seria um treinador ao nível da Premier League, e desde então não voltou a comandar um time na liga.
- Partidas no comando: 38
- Vitórias / Derrotas / Empates: 5-20-13
- Gols marcados: 29
- Gols sofridos: 59
8. Bob Bradley – Swansea City 11/12

Bob Bradley parecia estar com os dias contados antes mesmo de ocupar o banco quando foi contratado pelo Swansea City em outubro de 2016. Sua contratação foi recebida com críticas pelos torcedores. E os comentaristas ficaram perplexos, sugerindo que ele havia sido contratado pelos novos donos americanos do clube apenas por ser conterrâneo deles.
Se seu futebol servia de parâmetro, eles talvez tivessem razão. O Swansea de Bradley parecia desorganizado, ingênuo e completamente carente de estrutura defensiva. Em apenas 11 partidas, os Swans sofreram 29 gols, uma média de quase três por jogo. As atuações eram caóticas, com pouca evidência de um plano de jogo coerente. A identidade outrora orgulhosa do Swansea, baseada em passes e posse de bola, se deteriorou rapidamente sob o comando de Bradley.
As “americanices” de Bradley, como chamar um pênalti de “PK”, também não ajudaram a conquistar torcedores. Mais o mais prejudicial foi a falta de profundidade tática, fazendo escolhas de equipe erráticas e mudanças constantes de formação.
A última partida de Bradley, uma derrota por 4-1 em casa para o West Ham United no Boxing Day, foi a gota d’água. Ele foi demitido após apenas 85 dias no comando, deixando o Swansea na penúltima posição, com apenas duas vitórias em 11 jogos sob sua responsabilidade. E o final de seu curto e turbulento período no comando do time deixou os torcedores aliviados.
- Partidas no comando: 11
- Vitórias / Derrotas / Empates: 2-7-2
- Gols marcados: 15
- Gols sofridos: 29
7. Nathan Jones – Southampton 22/23

O Southampton teve um histórico terrível de treinadores nos últimos anos, e Nathan Jones é uma parte especialmente infeliz desse registro. O que tornou Jones insuportavelmente ruim não foram apenas suas péssimas decisões táticas, mas também sua postura delirante em entrevistas coletivas. Jones ficou famoso ao se referir a si mesmo como “um dos melhores treinadores da Europa” enquanto estava na Championship com o Luton. No entanto, quando teve a chance de dar um passo adiante, o galês não conseguiu provar o que dizia.
O reinado de Jones foi caótico desde o início. Sua filosofia rígida de contra-ataque não se adequava aos jogadores à sua disposição, e suas constantes mudanças táticas deixaram o Southampton desorganizado e inseguro. Os resultados foram desastrosos. Em apenas oito jogos da liga, ele conquistou uma única vitória, perdendo os outros sete. Ainda mais prejudiciais do que os resultados eram suas entrevistas pós-jogo. Jones frequentemente fazia comentários bizarros e defensivos, alegando que havia “comprometido seus princípios” em favor dos jogadores.
Em fevereiro, apenas 94 dias após sua nomeação, o Southampton decidiu rescindir o contrato. Jones foi demitido com o clube afundado na última posição da Premier League, deixando para trás um vestiário dividido e uma torcida revoltada. Seu período no comando virou motivo de piada entre os torcedores e um estudo de caso sobre excesso de confiança encontrando a dura realidade.
- Partidas no comando: 8
- Vitórias / Derrotas / Empates: 1-7-0
- Gols marcados: 5
- Gols sofridos: 16
6. Felix Magath – Fulham 13/14

Felix Magath não foi apenas um dos piores treinadores da Premier League; ele também foi um dos mais estranhos. O alemão comandou o Fulham por 12 partidas em 2014, vencendo apenas três, e deixou os jogadores perplexos com seus métodos. Um dos quais incluía pedir ao capitão do Cottagers, Brede Hangeland, que esfregasse queijo na coxa para curar uma lesão. Sim, é sério.
Magath chegou ao Craven Cottage com uma reputação de disciplinador severo na Alemanha, que prosperava com estrutura rígida e motivação à moda antiga. No entanto, sua abordagem se mostrou completamente incompatível tanto com a Premier League quanto com o frágil vestiário do Fulham. Os jogadores rapidamente se desiludiram com seu estilo de gestão imprevisível, que misturava treinos antiquados com conselhos médicos incomuns.
Seus treinos eram notoriamente intensos, deixando os jogadores frequentemente exaustos física e mentalmente. A moral despencou, a comunicação acabou, e o Fulham despencou rumo à Championship sem muita resistência. Os esquemas táticos de Magath eram caóticos: mudanças intermináveis de formação, peças fora do lugar e substituições confusas que deixavam os torcedores coçando a cabeça.
- Partidas no comando: 12
- Vitórias / Derrotas / Empates: 3-6-3
- Gols marcados: 13
- Gols sofridos: 27
5. Ivan Juric – Southampton 24/25

Ivan Jurić teve a missão impossível de manter o Southampton na Premier League quando chegou a St. Mary’s em 2024/25. Contratado para substituir Russell Martin, demitido anteriormente, Jurić deveria trazer disciplina, estrutura e solidez defensiva a um time que havia perdido completamente o rumo. No entanto, o caos só se aprofundou.
O Southampton parecia desorganizado, sem força ofensiva e mentalmente frágil. O estilo de pressão característico de Jurić que havia feito sucesso na Serie A nunca se repetiu na Premier League. Os jogadores pareciam confusos com suas exigências táticas, e problemas de comunicação supostamente atormentavam o vestiário.
Os resultados foram catastróficos. O Southampton conquistou apenas quatro vitórias em 14 partidas sob o comando de Jurić. Sua equipe frequentemente desmoronava no final do tempo de duração dos jogos de futebol, sofrendo gols bobos e mostrando completa falta de compostura sob pressão.
Para piorar, Jurić frequentemente desviava a culpa em entrevistas pós-jogo, criticando publicamente seus jogadores e gerando ainda mais tensão. Em última análise, a passagem de Jurić pelo Southampton foi curta, amarga e esquecível. Ele chegou como um suposto salvador, mas saiu como o homem que comandou o time de volta à Championship.
- Partidas no comando: 16
- Vitórias / Derrotas / Empates: 2-13-1
- Gols marcados: 15
- Gols sofridos: 38
4. Frank de Boer – Crystal Palace 17/18

A única coisa que salvou Frank de Boer de figurar entre os três piores treinadores da história da Premier League foi a duração curta de sua passagem pelo Crystal Palace. O holandês durou apenas quatro jogos antes que a diretoria dos Eagles decidisse que já tinha visto o suficiente e o demitisse. De Boer chegou cercado de expectativas, após o sucesso com o Ajax, mas um início decepcionante na liga tornou sua posição insustentável.
De Boer chegou ao sul de Londres com uma grande reputação após seu título conquistado no Ajax, encarregado de modernizar o futebol do Palace e implementar um estilo mais progressivo, baseado na posse de bola. No entanto, desde o primeiro apito, ficou dolorosamente claro que os jogadores não conseguiam se adaptar ao seu sistema. Seus treinos, segundo relatos, deixavam os jogadores mais experientes perplexos, e seu estilo frio e distante de gestão humana pouco fez para conquistar o vestiário.
Após quatro derrotas, zero gols marcados e sete sofridos, o clube estava em queda livre, e mudanças eram inevitáveis. O presidente Steve Parish agiu rapidamente, demitindo De Boer após apenas 77 dias no comando. Mais tarde, ele foi chamado de pior treinador da história da Premier League por José Mourinho, que provavelmente entende uma ou duas coisas sobre futebol. Seu período de quatro jogos continua sendo uma das passagens mais curtas e espetaculares de fracasso na história do futebol inglês.
- Partidas no comando: 4
- Vitórias / Derrotas / Empates: 0-4-0
- Gols marcados: 0
- Gols sofridos: 7
3. Russell Martin – Southampton 24/25

A passagem de Russell Martin pela Premier League com o Southampton foi marcada pela relutância em se afastar de sua filosofia. Suas tentativas de jogar o mesmo estilo de futebol fluido, construído desde a defesa, que havia garantido o acesso à liga na temporada anterior, foram infrutíferas, somando apenas 5 pontos em 16 jogos. O inglês recebeu finalmente seu aviso após uma derrota por 5-0 em casa para o Tottenham Hotspur.
Ivan Jurić foi contratado em seu lugar, mas o estrago já estava feito em St. Mary’s, e o Southampton foi rebaixado de volta à Championship após apenas 31 jogos, terminando a temporada com 12 pontos em sua pior campanha na primeira divisão. Isso quebrou os recordes do Derby County em 2007-08 e do Huddersfield Town em 2018-19 para o rebaixamento mais precoce na história da Premier League.
Os métodos de Martin não trouxeram resultados melhores desde sua saída do Southampton. Ele assumiu o comando do Rangers em junho de 2025 e supervisionou o pior início de temporada do clube em 47 anos, sendo demitido após 123 dias, tornando-se o treinador de menor tempo no comando na história da equipe.
A relutância, ou mesmo a incapacidade, de Martin de recorrer a um Plano B e seu consequente fracasso em obter resultados consolidaram seu lugar entre os piores treinadores da história da Premier League.
2. Remi Garde – Aston Villa 15/16

Remi Garde supervisionou um dos piores períodos da história do Aston Villa em 2015/16. Membros fundadores da Premier League, o Villa estava na primeira divisão há mais de 25 anos quando Garde assumiu em novembro de 2015. O francês estava em rota de colisão para encerrar esse recorde. Após 23 jogos no comando, Garde levou o Villa a apenas três vitórias e terminou na última posição, rebaixando o clube para a Championship pela primeira vez desde 1988.
Garde herdou um elenco quebrado, que vinha em baixa nas apostas na Premier League, e teve dificuldades para transmitir qualquer senso de propósito ou identidade. Apesar de sua reputação como um pensador tático brilhante durante seu tempo no Lyon, seus métodos não se traduziram para o vestiário desgastado da Premier League. Os jogadores pareciam perdidos, desmotivados e incapazes de se adaptar à sua abordagem baseada na posse de bola. Para piorar, Garde não tinha um Plano B.
Sua equipe marcou apenas 12 gols durante seu comando, enquanto sofreu 41, frequentemente desmoronando sem oferecer resistência. A atmosfera em Villa Park tornou-se tóxica, com os torcedores manifestando a sua insatisfação sobre a falta de direção.
O curto reinado de Garde simbolizou tudo o que deu errado no Aston Villa naquela época: contratações ruins, ausência de direção e ingenuidade gerencial. Portanto, não é surpresa que haja pouca simpatia pelo francês em partes de Birmingham, e ele entra para a lista de um dos piores treinadores da história da Premier League.
- Partidas no comando: 23
- Vitórias / Derrotas / Empates: 3-13-7
- Gols marcados: 16
- Gols sofridos: 56
1. Paul Jewell – Derby County 07/08

Paul Jewell comandou estatisticamente o pior time da primeira divisão de todos os tempos, e isso garante a ele o primeiro lugar na lista dos piores treinadores da Premier League. Jewell assumiu o Derby em novembro de 2007, substituindo Billie Davies. Herdou uma equipe em dificuldades e, de alguma forma, a tornou ainda pior.
Sob seu comando, o Derby não venceu nenhum jogo na Premier League, terminando a campanha com apenas 11 pontos, uma vitória e um saldo de gols de -69. Todos esses recordes permanecem quase 20 anos depois.
O período de Jewell mergulhou no caos logo após sua nomeação. Suas táticas estavam ultrapassadas, os jogadores pareciam completamente sem confiança, e suas contratações não conseguiram inspirar qualquer tipo de reação. O Derby ficou 32 jogos sem vencer, sofreu 89 gols e conquistou a indesejada fama de ser o pior time que a primeira divisão do futebol inglês já viu.
O que torna o reinado de Jewell ainda pior é que ele já havia se mostrado competente em outros lugares. Ele havia feito um bom trabalho anteriormente com Wigan e Bradford, mas no Derby parecia completamente fora de seu alcance. Sua incapacidade de se adaptar ou de unir um elenco quebrado consolidou seu lugar na infâmia da Premier League. Até hoje, os torcedores do Derby ainda fazem caretas ao mencionar aquela temporada, e o nome de Jewell permanece para sempre associado a ela.
- Partidas no comando: 24
- Vitórias / Derrotas / Empates: 0-19-5
- Gols marcados: 15
- Gols sofridos: 56


